Crise eleitoral no Peru se agrava com renúncia de chefe do órgão responsável pelas eleições

O processo eleitoral no Peru enfrenta um momento de instabilidade após a renúncia de Piero Corvetto, responsável pelo órgão que conduz as eleições no país. A saída ocorreu nesta terça-feira (21), poucas horas antes de o dirigente prestar depoimento sobre irregularidades registradas no primeiro turno do pleito presidencial.

Corvetto estava à frente do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) e decidiu deixar o cargo em meio a críticas relacionadas à condução da votação e à apuração dos resultados. Em carta de renúncia encaminhada ao Conselho Nacional de Justiça, ele afirmou que problemas “técnicos e operacionais” no transporte de cédulas eleitorais na região metropolitana de Lima tornaram sua permanência “inadiável”.

A crise ocorre em um cenário de incerteza quanto ao desfecho do primeiro turno. Mais de uma semana após a realização das eleições, a contagem dos votos ainda não foi concluída, mantendo indefinida a disputa pelo segundo turno presidencial. A demora é atribuída, principalmente, à revisão de mais de 15 mil cédulas contestadas.

Até a tarde desta terça-feira, cerca de 94% dos votos haviam sido contabilizados. A parcial aponta vantagem da candidata de direita Keiko Fujimori, com aproximadamente 17% dos votos. Em seguida aparece o candidato de esquerda Roberto Sanchez, com cerca de 12%. Na terceira colocação está o ultraconservador Rafael Aliaga, com uma diferença inferior a 30 mil votos em relação ao segundo colocado, o que mantém a disputa em aberto.

A indefinição aumenta a tensão política no país e levanta questionamentos sobre a transparência e a eficiência do processo eleitoral. A expectativa agora gira em torno da conclusão da apuração e da confirmação oficial dos candidatos que avançarão para a etapa decisiva.

Paralelamente, Corvetto deve comparecer ao Ministério Público para prestar esclarecimentos sobre os problemas apontados. Em sua carta, o cientista político defendeu sua atuação, afirmando ter exercido a função “com integridade”. Ele também ressaltou que eventuais falhas deverão ser analisadas por investigações independentes.

“Podem ser procuradas respostas nas competências internas da organização e, no que me couber, responderei. Restam muitas dúvidas que deverão ser esclarecidas por uma investigação imparcial e exaustiva”, declarou.

O episódio aprofunda a crise institucional em torno das eleições peruanas e reforça a necessidade de respostas rápidas das autoridades para garantir a credibilidade do processo democrático no país.