Mudança no comando da PM de São Paulo ocorre após investigação sobre ligação de policiais com facção criminosa

A Polícia Militar de São Paulo passou por uma troca no comando após o então comandante-geral, José Augusto Coutinho, solicitar sua saída do cargo em meio a investigações internas. O oficial foi citado em apurações da Corregedoria da corporação que investigam a atuação de policiais militares como seguranças de supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) ligados à empresa de ônibus Transwolff.

A substituição foi oficializada pelo governador Tarcísio de Freitas, que nomeou a coronel Glauce Anselmo Cavalli para assumir o comando-geral. Com a decisão, Cavalli se tornou a primeira mulher a liderar a corporação em quase dois séculos de existência. Até então, ela ocupava o posto de chefe do Centro de Comunicação Social da PM.

Segundo informações levantadas pela investigação, o nome de Coutinho teria surgido no depoimento do sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso sob suspeita de realizar escolta ilegal para diretores da empresa Transwolff. A companhia operava linhas de ônibus na capital paulista, mas teve o contrato encerrado pela prefeitura após ser alvo de uma operação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro em benefício da facção criminosa.

De acordo com o relato do sargento, o ex-comandante teria conhecimento do esquema de escoltas irregulares. As suspeitas ganharam ainda mais peso após a atuação de promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que procuraram a Corregedoria para apresentar novas informações relacionadas à possível conduta do coronel.

Durante depoimentos, representantes do Ministério Público teriam detalhado episódios em que Coutinho teria deixado de agir diante de indícios de envolvimento de policiais com o crime organizado. Entre os casos citados está um episódio anterior, quando o oficial comandava as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), considerada a tropa de elite da PM paulista.

Na ocasião, o coronel teria sido alertado por autoridades sobre o vazamento de informações sigilosas por parte de policiais do setor de inteligência, que estariam favorecendo integrantes de uma célula do PCC na zona leste de São Paulo. Segundo os relatos, não houve providências adotadas naquele momento.

O avanço das investigações e o aumento da pressão institucional contribuíram para o desgaste da permanência de Coutinho no comando da corporação. A ida para a reserva marca o encerramento de sua trajetória à frente da Polícia Militar, enquanto as apurações seguem em andamento.

Com a posse de Glauce Anselmo Cavalli, a PM inicia uma nova fase sob liderança inédita, ao mesmo tempo em que enfrenta o desafio de lidar com os desdobramentos das investigações e reforçar a confiança nas instituições de segurança pública.