Polícia Federal realiza operação contra suposto esquema de fraudes financeiras ligado ao Banco Digimais

A Polícia Federal deflagrou uma operação em São Paulo para investigar um alegado esquema de fraudes financeiras que teria sido utilizado para ocultar a real situação patrimonial do Banco Digimais. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens que ultrapassam R$ 670 milhões.

De acordo com as investigações, a instituição financeira é suspeita de manipular demonstrativos contabilísticos e registos regulatórios com o objetivo de apresentar uma imagem de solvência diferente da sua condição financeira efetiva. A estratégia teria servido para contornar a fiscalização dos órgãos responsáveis pelo setor bancário e permitir a realização de operações consideradas irregulares.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos, Rodrigo Ruggero, João Luiz Urbaneja, Thiago Rodrigues Urbaneja, José Roberto Giancoli Filho, Rodrigo Balassiano, o Banco Digimais S.A. e a ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

A investigação também envolve o bispo evangélico Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e associado ao Banco Digimais. Segundo a Polícia Federal, ele não foi alvo dos mandados de busca e apreensão por residir no exterior. No entanto, a Justiça autorizou o bloqueio e o sequestro dos seus bens, medida que também se estende aos restantes investigados.

Além das restrições patrimoniais, foi autorizada a quebra dos sigilos fiscais de 18 pessoas e entidades ligadas à operação, permitindo aos investigadores aprofundar a análise da movimentação financeira e das operações realizadas pelos suspeitos.

As autoridades procuram apurar se houve manipulação de informações contabilísticas para mascarar a situação financeira da instituição, bem como a eventual concessão de operações de crédito em desacordo com a legislação em vigor.

Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de dados falsos em demonstrativos contabilísticos e realização de operações de crédito proibidas pela regulamentação do setor.

A operação representa mais um passo das autoridades brasileiras no combate a crimes financeiros de grande dimensão, enquanto as investigações prosseguem para determinar a extensão das alegadas irregularidades e a eventual responsabilidade individual de cada um dos envolvidos. Todos os citados permanecem sob investigação, sendo-lhes assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa durante o decorrer do processo.