Fim da produção de lã de vidro em Santo Amaro encerra décadas de reclamações e abre nova fase para a região

A produção de lã de vidro na unidade da Isover Saint-Gobain, localizada em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, foi oficialmente encerrada, marcando o fim de uma atividade industrial que, durante anos, esteve no centro de reclamações de moradores da região. A medida atende a um compromisso firmado entre a empresa e o Ministério Público e representa uma mudança significativa para milhares de pessoas que conviviam com os impactos da operação da fábrica.

Utilizada amplamente na construção civil como material para isolamento térmico e acústico, a lã de vidro era produzida na unidade industrial que, segundo relatos da comunidade local, gerava uma série de transtornos ambientais. Entre as principais queixas estavam a emissão de fumaça, o forte odor, a dispersão de fuligem e os ruídos produzidos durante o período noturno.

As reclamações se acumularam ao longo dos anos e motivaram a atuação das autoridades. Como resultado, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), estabelecendo um prazo para o encerramento definitivo da fabricação do material na unidade de Santo Amaro. O acordo previa ainda a aplicação de multa diária caso a empresa deixasse de cumprir a determinação.

Com o fim da produção, moradores comemoraram a mudança, destacando a expectativa de melhora na qualidade do ar e na qualidade de vida da população. Nas redes sociais, grupos organizados da região celebraram o encerramento das atividades industriais que, segundo eles, impactavam diretamente a saúde e o bem-estar dos cerca de 90 mil habitantes do bairro.

Embora a fabricação da lã de vidro tenha sido encerrada, a unidade não será totalmente desativada. A empresa informou que o local continuará funcionando como centro de distribuição do produto, mantendo parte de suas operações logísticas.

Além da interrupção da produção, a companhia deverá cumprir uma série de obrigações ambientais. Entre elas estão a gestão de áreas potencialmente contaminadas, o tratamento adequado de resíduos industriais, a destinação correta de materiais utilizados no processo produtivo e a desmobilização do forno industrial empregado na fabricação da lã de vidro.

A empresa também informou que o processo de encerramento das atividades produtivas foi conduzido de forma planejada e em conformidade com a legislação trabalhista. Segundo a companhia, foram adotadas medidas para reduzir os impactos da mudança sobre os colaboradores envolvidos nas operações da fábrica.

O encerramento da produção representa um marco importante para Santo Amaro, bairro que reúne áreas residenciais, comerciais e industriais e que, nas últimas décadas, passou por intenso processo de transformação urbana. A retirada da atividade fabril é vista por muitos moradores como um passo relevante para a melhoria das condições ambientais da região e para a convivência entre desenvolvimento econômico e qualidade de vida.

O caso também reforça a importância do diálogo entre comunidade, empresas e órgãos públicos na busca por soluções que conciliem atividade econômica, responsabilidade ambiental e saúde coletiva. A expectativa agora é que as próximas etapas do processo, incluindo a recuperação ambiental da área e a continuidade das medidas previstas no acordo, contribuam para consolidar uma nova realidade para Santo Amaro, marcada por um ambiente mais saudável e sustentável para seus moradores.