Compra de fazenda leva ex-prefeito de Morro Agudo a condenação por lavagem de dinheiro

Gilberto César Barbeti recebeu pena de 10 anos de prisão; esposa foi condenada a 4 anos e 6 meses. Defesa contesta irregularidades na aquisição do imóvel no Tocantins.

O ex-prefeito de Morro Agudo, no interior de São Paulo, Gilberto César Barbeti, foi condenado a 10 anos de prisão por lavagem de dinheiro em sentença proferida na quarta-feira, 30 de setembro. A esposa dele, Poliana Penachiotti Barbeti, também foi condenada, com pena de 4 anos e 6 meses em regime semiaberto.

O processo envolve a compra de uma fazenda de aproximadamente 959 hectares em Abreulândia, no Tocantins. Segundo a decisão judicial, o casal ocultou a origem de R$ 2,7 milhões utilizados na aquisição do imóvel. A sentença apontou que os recursos vieram de desvios relacionados às obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Morro Agudo durante a administração de Gilberto, que governou o município entre 2005 e 2012.

Registro do imóvel e origem dos recursos

A propriedade foi registrada em nome de Poliana em 2014, pelo valor declarado de R$ 1,19 milhão. Conforme a decisão, essa quantia era diferente do montante efetivamente pago pela fazenda.

A condenação do ex-prefeito envolve a lavagem de dinheiro e a ocultação de sua condição de verdadeiro proprietário do imóvel. A aquisição e a forma como a fazenda foi registrada estão no centro da discussão sobre a destinação dos recursos apontados no processo.

Durante a tramitação, Gilberto afirmou que o dinheiro utilizado na compra tinha origem em sua atividade agrícola. Ele também admitiu ter colocado a propriedade em nome da esposa para evitar bloqueios judiciais.

A defesa pediu a absolvição e sustentou que o registro em nome de Poliana decorreu de uma decisão familiar. O juiz, no entanto, rejeitou os argumentos apresentados e concluiu pela condenação do casal.

Ex-prefeito contesta a sentença

Após a decisão, Gilberto afirmou que pretende demonstrar que não houve ilegalidade. O ex-prefeito também classificou a divulgação da sentença às vésperas da eleição como uma “manobra política” e alegou interferência do Judiciário no processo eleitoral.

Essa avaliação representa o posicionamento do ex-prefeito. A condenação, por sua vez, está fundamentada na interpretação judicial dos elementos apresentados ao longo do processo.

O relato disponível não esclarece se já houve apresentação de recurso, se a sentença prevê o início imediato do cumprimento das penas ou se a decisão transitou em julgado. Portanto, a condenação não deve ser confundida com uma confirmação de que o casal já esteja cumprindo as penas determinadas.

Desdobramento de operação

O caso é um desdobramento da Operação Eminência Parda. A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo foi recebida pela Justiça em abril de 2023, dando continuidade à apuração que resultou na sentença.

A Prefeitura de Morro Agudo foi procurada para se manifestar sobre o caso, mas não havia apresentado resposta até a publicação do relato original.