Morte de professora após aula de natação leva Ministério Público a investigar academias em São Paulo
A morte da professora Juliana Faustina Bassetto, de 27 anos, ocorrida após participação em uma aula de natação em uma unidade da academia C4 Gym, na zona leste de São Paulo, motivou a abertura de um inquérito civil pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). A investigação busca apurar possíveis irregularidades no funcionamento das academias da rede em toda a capital paulista, com foco principalmente nas condições de segurança e na regularidade das licenças obrigatórias.
A apuração está sendo conduzida pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da capital. Entre os principais pontos investigados está a eventual ausência do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento indispensável que atesta que o imóvel passou por inspeção técnica e cumpre exigências de segurança contra incêndios e outras emergências. Além disso, o Ministério Público também examina a regularidade de outras autorizações administrativas exigidas para o funcionamento das unidades.
Como parte das diligências iniciais, o promotor responsável determinou a notificação da empresa responsável pela rede de academias para que apresente a lista completa das unidades em funcionamento na cidade, incluindo endereços, identificação dos franqueados e cópias dos contratos de franquia. A empresa também deverá prestar esclarecimentos sobre eventuais irregularidades e informar a situação das licenças e certificações de cada estabelecimento.
Paralelamente, foram encaminhados ofícios à Secretaria Municipal de Governo, à Vigilância Sanitária e ao Corpo de Bombeiros solicitando a realização de vistorias em todas as academias da rede instaladas na capital. Os órgãos deverão apresentar relatórios técnicos detalhados, comprovação das licenças existentes, informações sobre a emissão de AVCBs e a indicação de eventuais medidas administrativas adotadas, incluindo a possibilidade de interdições caso sejam identificados riscos à segurança dos frequentadores.
O caso ganhou maior repercussão após a confirmação de mais uma pessoa afetada pelo incidente ocorrido na mesma aula de natação. Uma mulher de 29 anos, que também participava da atividade no dia do episódio, apresentou sintomas graves e precisou ser internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Luiz do Tatuapé. De acordo com o registro policial, a paciente relatou dores de cabeça, vômito e diarreia, tendo o quadro evoluído para necessidade de observação intensiva.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias que levaram ao episódio e verificar se houve falhas estruturais, sanitárias ou administrativas que possam ter contribuído para os acontecimentos. As autoridades destacam que a análise das condições de funcionamento das academias é essencial para garantir a segurança dos usuários e prevenir novos incidentes. Enquanto as apurações avançam, órgãos públicos e responsáveis pela rede deverão colaborar com a entrega de documentos e informações técnicas que permitam a completa avaliação do caso.