Polícia Federal investiga esquema de venda ilegal de dados de pacientes do SUS com uso de inteligência artificial em São Paulo

 

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira, uma operação em São Paulo para desarticular uma estrutura empresarial suspeita de acessar, tratar e comercializar de forma ilegal dados pessoais sensíveis de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a corporação, o esquema utilizava ferramentas de inteligência artificial para organizar e explorar informações protegidas por sigilo legal.

A ação resultou no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. As diligências ocorreram em endereços localizados nas cidades de Vinhedo e Valinhos, no interior paulista, além da capital do estado. Os locais são ligados tanto à empresa investigada quanto aos seus sócios administradores, que agora estão no centro das apurações.

Segundo a Polícia Federal, o objetivo da operação é interromper o acesso indevido a bancos de dados e impedir a continuidade da exposição de informações altamente sensíveis, como registros de saúde de cidadãos atendidos pelo SUS. Ainda durante o cumprimento dos mandados, a Justiça Federal determinou medidas cautelares imediatas, incluindo a suspensão de domínios na internet e de APIs, que são sistemas utilizados para a comunicação entre softwares e a troca automatizada de dados.

A interrupção dessas estruturas tecnológicas foi considerada essencial para conter a possível extração e comercialização de informações pessoais, além de preservar a integridade dos sistemas e reduzir riscos de novos vazamentos. As investigações apontam que os dados eram coletados, organizados e potencialmente vendidos sem autorização dos titulares ou dos órgãos responsáveis pela guarda das informações.

A Polícia Federal apura se houve invasão de dispositivos informáticos ligados a bases públicas ou privadas, bem como a prática de receptação qualificada de dados, crime que envolve o uso ou a comercialização de informações obtidas de forma ilícita. Caso as suspeitas sejam confirmadas e os envolvidos condenados, as penas somadas podem chegar a até 13 anos de reclusão.

O caso reacende o debate sobre a segurança de dados sensíveis no ambiente digital, especialmente aqueles relacionados à saúde pública, considerados de alto valor e impacto em caso de uso indevido. As autoridades destacam que informações médicas exigem nível máximo de proteção, uma vez que seu vazamento pode gerar danos irreversíveis aos cidadãos, incluindo discriminação, fraudes e violações de privacidade.

As investigações seguem em andamento para identificar a extensão do acesso irregular, o número de pessoas afetadas e eventuais compradores dos dados. A Polícia Federal também trabalha para mapear se outros sistemas foram comprometidos e se há ramificações do esquema em outras regiões do país.