O estado de São Paulo reafirma sua posição de destaque no cenário cultural e econômico do país ao concentrar pouco mais de um quinto de todos os trabalhadores ligados à cultura e à economia criativa no Brasil. Levantamento recente aponta que 20,6% dos profissionais do setor estão em território paulista, evidenciando o peso do estado na geração de emprego, renda e inovação em atividades criativas.
De acordo com os dados apurados, São Paulo reúne cerca de 1,6 milhão de pessoas ocupadas em áreas relacionadas à cultura e à economia criativa. Em comparação, o contingente nacional é estimado em aproximadamente 7,75 milhões de trabalhadores, o que reforça a centralidade paulista nesse segmento estratégico da economia brasileira. O número expressivo reflete a diversidade de atividades que compõem o setor, que inclui desde artes e audiovisual até design, moda, publicidade, tecnologia e produção cultural.
A evolução do mercado criativo ao longo da última década chama atenção. No estado de São Paulo, o total de ocupados nessas áreas cresceu de 1,1 milhão para 1,6 milhão, demonstrando expansão consistente e superior ao ritmo observado em diversos outros segmentos da economia. No cenário nacional, o avanço também foi significativo, com o número de trabalhadores passando de cerca de 6,4 milhões para 7,7 milhões no mesmo período, mas a concentração paulista se manteve elevada.
Para a gestão estadual, os dados confirmam a força de uma cadeia produtiva ampla e multifacetada. Representantes do setor destacam que a economia criativa paulista se caracteriza pela pluralidade de linguagens, pela capacidade de absorver diferentes perfis profissionais e pelo impacto direto na transformação social. A geração de empregos formais e informais, aliada ao estímulo à inovação, tem sido apontada como um dos principais motores desse crescimento.
Além do impacto no mercado de trabalho, a economia criativa também vem ganhando relevância no desempenho económico do estado. O Produto Interno Bruto do setor apresentou crescimento expressivo ao longo dos últimos anos, alcançando R$ 136,6 bilhões em um dos levantamentos mais recentes. Esse montante corresponde a aproximadamente 5,2% do PIB paulista, índice que evidencia o papel estratégico da cultura e das indústrias criativas na composição da riqueza estadual.
Especialistas avaliam que o protagonismo de São Paulo está associado a fatores como infraestrutura, concentração de empresas, presença de polos criativos, políticas públicas voltadas ao setor e um mercado consumidor robusto. A articulação entre poder público, iniciativa privada e agentes culturais tem contribuído para fortalecer o ecossistema criativo, ampliando oportunidades e estimulando novos modelos de negócio.
O cenário também aponta desafios. A informalidade, a necessidade de qualificação profissional e a ampliação do acesso a recursos continuam no centro do debate. Ainda assim, os números reforçam a percepção de que a cultura e a economia criativa deixaram de ser áreas periféricas e passaram a ocupar posição central nas estratégias de desenvolvimento.
Com quase um quarto dos trabalhadores do setor concentrados em seu território, São Paulo consolida-se como o principal polo criativo do Brasil, demonstrando que investimento em cultura e criatividade pode gerar resultados concretos para a economia e para a sociedade.