O governador Tarcísio de Freitas e o ex-secretário Gilberto Kassab reuniram-se no Palácio dos Bandeirantes para alinhar os detalhes da saída do dirigente do PSD da Secretaria de Governo e Relações Institucionais. A decisão, anunciada previamente por Kassab, marca uma mudança relevante no núcleo político da gestão estadual.
Kassab comunicou que deixaria o cargo para se dedicar às articulações eleitorais de seu partido, que pretende apoiar a reeleição de Tarcísio em São Paulo, ao mesmo tempo em que se movimenta no cenário nacional com pré-candidaturas à Presidência da República. Entre os nomes colocados estão o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Apesar do tom cordial adotado publicamente, a forma como a saída foi conduzida gerou desconforto nos bastidores. Aliados indicam que o anúncio não foi previamente alinhado de maneira direta com o governador, ocorrendo principalmente por meio de comunicação à distância. A equipe da própria secretaria também teria sido surpreendida, evidenciando uma ruptura pouco convencional para um cargo estratégico.
No Palácio dos Bandeirantes, a indefinição sobre o substituto reforça o impacto imediato da decisão. A Secretaria de Governo é considerada uma das mais importantes da estrutura estadual, responsável pela articulação política e pelo relacionamento com o Legislativo, o que torna sua liderança fundamental para a estabilidade administrativa.
O episódio ocorre em meio a um ambiente de desgaste na relação entre Tarcísio e Kassab, intensificado por divergências recentes sobre a composição política do governo. Um dos principais pontos de tensão envolve a manutenção do vice-governador Felício Ramuth na chapa, decisão tomada por Tarcísio apesar do interesse de Kassab em ocupar maior protagonismo no arranjo político.
Esse impasse também gerou reflexos no próprio entorno do governo. Ramuth, cuja relação com Kassab teria se deteriorado, avalia a possibilidade de mudança partidária, com o MDB surgindo como uma das alternativas em análise. A movimentação indica que a reorganização política pode ter desdobramentos mais amplos nas próximas semanas.
Paralelamente, Tarcísio mantém atuação ativa no cenário nacional, participando da coordenação de estratégias eleitorais que envolvem aliados, como o senador Flávio Bolsonaro. O contexto reforça a sobreposição entre agendas estaduais e articulações políticas de maior alcance.
Mesmo diante das tensões, Kassab buscou minimizar qualquer atrito, destacando o caráter “harmônico” da saída e sinalizando continuidade no diálogo com o governador. A declaração pública indica uma tentativa de preservar a relação institucional, apesar dos sinais de desgaste nos bastidores.
A saída de um dos principais articuladores políticos do governo paulista abre um novo capítulo na gestão, com impactos que vão além da reorganização administrativa. O movimento expõe as complexidades das alianças políticas em um momento de pré-campanha, em que interesses regionais e nacionais se entrelaçam.
Nos próximos dias, a definição do novo titular da Secretaria de Governo e os desdobramentos das articulações partidárias devem indicar o rumo da base aliada e o grau de estabilidade política da gestão estadual.