Um assalto cometido por um grupo de quatro criminosos armados colocou em alerta a comunidade académica da Universidade de São Paulo. A ação ocorreu durante a madrugada, num laboratório localizado no bairro do Butantã, na zona oeste da capital paulista, e resultou em momentos de tensão para dois vigilantes da instituição, que foram feitos reféns.
Segundo o registo policial, os vigilantes realizavam rondas de rotina quando foram surpreendidos por dois homens armados nas imediações da guarita de acesso a um dos prédios do campus. Sob ameaça constante, as vítimas foram obrigadas a permanecer sentadas numa área anexa, sem possibilidade de reação. A abordagem foi rápida e calculada, indicando que os assaltantes tinham conhecimento prévio da dinâmica do local.
Pouco depois, outros dois criminosos chegaram numa carrinha e conseguiram aceder ao edifício, abrindo uma porta de aço que conduzia ao laboratório do Instituto de Energia e Ambiente. No interior, o grupo recolheu materiais de valor, incluindo bobinas de fios de cobre e uma quantidade significativa de cabos plásticos, além de levar os telemóveis dos vigilantes. Parte da área externa encontrava-se sem fornecimento de energia elétrica, situação que poderá ter facilitado a movimentação dos suspeitos sem levantar suspeitas imediatas.
Após concluírem o roubo, os criminosos conduziram os vigilantes até um banheiro situado num piso superior do edifício. Lá, as vítimas foram amarradas e amordaçadas com fita adesiva, numa tentativa de atrasar qualquer pedido de ajuda. Em seguida, o grupo fugiu do local, tomando rumo desconhecido.
Mesmo sob forte abalo emocional, os vigilantes conseguiram libertar-se e acionaram a Polícia Militar, que se deslocou ao campus para atender a ocorrência. As primeiras diligências incluíram buscas na região e a recolha de informações que possam ajudar na identificação dos suspeitos, bem como a análise de imagens de câmaras de vigilância instaladas nas imediações.
O caso foi formalmente registado no 93º Distrito Policial, onde as vítimas prestaram depoimento detalhado. A investigação procura agora esclarecer se o crime foi isolado ou se integra uma sequência de furtos e roubos a instalações públicas e académicas, motivados sobretudo pelo valor de revenda de materiais como cobre.
O episódio reacende o debate sobre a segurança em grandes campus universitários, que funcionam como verdadeiras cidades abertas, com circulação constante de estudantes, funcionários e visitantes. Especialistas em segurança patrimonial apontam que áreas extensas, aliadas a falhas pontuais de iluminação ou vigilância, podem tornar-se alvos vulneráveis para ações criminosas.
A direção da universidade avalia medidas adicionais para reforçar a segurança, incluindo revisão de protocolos, melhoria da iluminação e integração de sistemas de monitorização. Enquanto isso, a investigação segue em curso, e a expectativa é que os responsáveis pelo assalto sejam identificados e responsabilizados.