O Governo de São Paulo desembolsou cerca de R$ 62 mil em recursos públicos para custear a participação do secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade, em um evento internacional realizado em Cambridge, na Inglaterra. Do total, aproximadamente R$ 42 mil foram destinados à compra de passagens aéreas, valor que chamou a atenção ao ser comparado aos preços médios praticados no mercado para o mesmo trecho.
Ex-presidente da Petrobras durante o governo de Jair Bolsonaro, Caio Paes de Andrade participou do programa “Cambridge 2025: Digital Government and Economic Development”, voltado à formação internacional em transformação digital aplicada à gestão pública. A iniciativa reuniu representantes dos setores público e privado interessados em discutir inovação tecnológica, eficiência administrativa e desenvolvimento econômico.
Segundo a Secretaria de Gestão e Governo Digital, a viagem teve como objetivo aprofundar o debate sobre o uso da tecnologia como ferramenta para aprimorar os serviços oferecidos à população. A pasta informou que o secretário solicitou afastamento temporário do cargo, conforme previsto na legislação estadual, para participar do evento acadêmico e institucional.
Os gastos detalhados constam no Portal da Transparência, que registra R$ 20.055,24 em diárias de estada e R$ 41.974,90 em passagens aéreas de ida e volta. A soma resultou em um custo total próximo de R$ 62 mil aos cofres públicos. O valor das passagens, em especial, gerou questionamentos, uma vez que pesquisas em sites de companhias aéreas indicam que um bilhete de ida e volta entre São Paulo e Londres pode ser encontrado por cerca de R$ 10 mil, a depender do período e das condições de compra.
Diante da diferença expressiva, o governo estadual afirmou que a aquisição das passagens seguiu critérios administrativos e normativos vigentes. Segundo a justificativa oficial, foram considerados fatores como datas vinculadas ao cronograma do curso, classe compatível com o cargo ocupado, flexibilidade para remarcação, tempo total de deslocamento, número de conexões e tarifas disponíveis no momento da compra. A gestão sustenta que esses elementos impactam diretamente o valor final do bilhete aéreo.
Apesar da explicação, o governo não esclareceu se o montante pago correspondeu à aquisição de passagens em classe executiva, informação que poderia ajudar a contextualizar o custo elevado. A ausência dessa resposta contribuiu para ampliar o debate sobre padrões de gastos em viagens internacionais realizadas por autoridades públicas.
O episódio ocorre em um cenário de crescente vigilância da sociedade sobre o uso de recursos públicos, especialmente em despesas relacionadas a deslocamentos e eventos no exterior. Embora o governo paulista argumente que a participação do secretário em um programa internacional traz benefícios institucionais e contribui para a modernização da administração pública, especialistas em gestão pública destacam que a transparência e a proporcionalidade dos gastos são fundamentais para manter a confiança da população.
A viagem de Caio Paes de Andrade, portanto, expõe um dilema recorrente na administração pública: o equilíbrio entre investimento em capacitação de alto nível e a necessidade de rigor na aplicação do dinheiro público. O caso segue como exemplo de como decisões administrativas, mesmo quando justificadas por objetivos estratégicos, podem gerar questionamentos e exigir explicações detalhadas à sociedade.